Produção de motos no Brasil tem o melhor primeiro bimestre em 15 anos
Com um crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior, a indústria de motociclos consolida o melhor desempenho para o período desde 2011, impulsionada pela alta procura e pelo segmento de alta cilindrada.
O setor de motociclos brasileiro iniciou o ano de 2026 com resultados históricos. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção atingiu a marca de 348.732 unidades nos meses de janeiro e fevereiro. O volume representa uma alta de 1,7% face ao mesmo período de 2025, configurando-se como o melhor primeiro bimestre dos últimos 15 anos.
Impacto do Calendário em Fevereiro
Apesar do acumulado positivo no bimestre, o mês de fevereiro isolado apresentou uma retração. Foram fabricadas 164.104 motocicletas, o que corresponde a uma queda de 7,1% em comparação com fevereiro do ano passado e de 11,1% em relação a janeiro de 2026.
De acordo com Marcos Bento, presidente da Abraciclo, este recuo pontual já era esperado pelo setor. O principal motivo foi o feriado de Carnaval, que reduziu o número de dias úteis nas linhas de montagem. "O setor mantém um ritmo consistente de produção, alinhado ao planejamento das fabricantes e impulsionado pela demanda do mercado", afirmou Bento.
Perfil da Produção: Da Popular à Alta Cilindrada
O balanço detalhado revela tendências interessantes no comportamento do consumidor brasileiro:
Baixa Cilindrada: Continua a ser o motor do mercado, representando 77,7% do total produzido (270.919 unidades). São os modelos preferidos para trabalho e deslocação urbana.
Alta Cilindrada: Foi o segmento que registou o maior crescimento percentual, com uma subida de 22%. Foram fabricadas 9.725 unidades de luxo ou performance, refletindo um nicho em franca expansão.
Média Cilindrada: Ocupa a segunda posição em volume, com 19,5% da produção total.
No que toca às categorias, a Street mantém a liderança absoluta (51,8% do volume), seguida pela categoria Trail (19,4%) e pela Motoneta (13,3%).
Perspetivas
Os números reforçam a resiliência da indústria nacional de motociclos, que tem conseguido adaptar-se às flutuações económicas e manter o fornecimento estável para atender a uma procura que permanece aquecida, tanto para fins profissionais como para lazer.
Com informações de Agência Brasil / Ceará Agora.